Conversão do uso da terra de pastagem para cana-de-açúcar leva a menores perdas dos estoques de carbono


A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas do país, sendo o Brasil um dos maiores produtores de etanol e açúcar. Para que a produção da cana seja adequada às necessidades sociais, econômicas e ambientais, o engenheiro agrônomo e bolsista do CNPq em doutorado, Ricardo de Oliveira Bordonal, despertou o interesse de fazer o inventário do balanço de gases efeito estufa vinculado à produção agrícola da cana-de-açúcar, visando identificar as principais fontes de emissões e também propor estratégias de manejo que possam diminuir essas emissões. De acordo com o pesquisador, a preservação do carbono no solo está diretamente relacionada à produtividade agrícola, se insere no balanço de gases de efeito estufa associada à produção daquele produto (pegada de carbono) e possui uma relação direta com um fenômeno global, que é o efeito estufa adicional, e as mudanças climáticas globais.

Os resultados dos estudos desenvolvidos pelo bolsista foram publicados na Renewable & Sustainable Energy Reviews, renomada publicação internacional da área agrícola. De acordo com o artigo, a recente expansão da cana-de-açúcar tem levado à compensação de parte das emissões relacionadas às atividades agrícolas, destacando-se também a importância da substituição de combustíveis fósseis. “Cerca de 57% das emissões associadas ao cultivo da cana-de-açúcar foram compensadas especialmente pela fixação de carbono na biomassa e isso levou à redução do balanço de gases do efeito estufa de 481 para 217 teragramas de CO2 equivalentes até 2030. Além disso, é importante ressaltar que a substituição de combustíveis fósseis pelo uso de etanol no Brasil pode facilmente compensar essas emissões até 2030”, destaca Ricardo Bordonal, que faz o doutorado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), da Unesp de Jaboticabal, tendo como projeto de pesquisa o Balanço de gases de efeito estufa associado à produção de cana-de-açúcar no centro sul do Brasil: opções de mitigação e projeções futuras.

Os resultados mostram que as conversões de mata nativa, citrus e pastagem para cana-de-açúcar levam à perda dos estoques de carbono no solo, mas quando o compartimento biomassa é considerado, somente a conversão de pastagem para cana-de-açúcar resulta no sumidouro de carbono. “Na situação de conversão de pastagem para cana-de-açúcar, apresenta-se um balanço de carbono de -51 Mg CO2 por hectare que seria absorvido da atmosfera. A mudança do uso da terra de mata nativa para cana é a conversão que leva ao maior passivo ambiental em termos de balanço de carbono, apresentando uma emissão de 179 Mg CO2 ha”, ressalta Ricardo Bordonal. Leia mais.

Fonte: CNPQ

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