Proteção à Amazônia empurra desmatamento para o cerrado


O sucesso no combate ao desmatamento na Amazônia Legal parece ter pelo menos uma consequência negativa: o aumento da pressão sobre o cerrado. Embora seja o segundo maior bioma do país, a savana brasileira sempre ficou em segundo ou terceiro plano diante dos problemas da floresta amazônica. Como consequência, sabe-se com menos precisão o grau de destruição na principal fronteira agrícola do país. Este será um dos temas do Fórum Desmatamento Zero, que a Folha de S.Paulo realiza nesta segunda e terça-feira (21 e 22), com o patrocínio da Clua (Climate and Land Use Alliance).

Na Amazônia há uma pressão muito grande, o que pode ter causado uma maior degradação em áreas do oeste da Bahia e do Matopiba [área de cerrado entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia com forte expansão da agricultura]”, diz Laerte Ferreira, coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da UFG (Universidade Federal de Goiás). Júlio Cesar Sampaio, coordenador de conservação do programa Cerrado-Pantanal da ONG WWF, diz que a terra barata e a melhora da infraestrutura e logística na região fizeram com que vários produtores migrassem para o trecho norte do cerrado. “"O que a gente tem tentado fazer é discutir a criação de unidades de conservação nessas áreas."” 

O último dado oficial sobre o desmatamento da região é de 2010 e registrou uma perda de cobertura de 6.000 km2 quatro vezes a extensão da capital paulista. O dado mais recente, medido de forma independente pelo laboratório comandado por Ferreira com um satélite que capta imagens com baixa resolução (o que impede a comparação direta dos dois dados), registrou destruição de 4.535 km2 entre maio de 2013 e maio de 2014. “O desmatamento que é repreendido na Amazônia retorna para o cerrado”, afirma Manuel Eduardo Ferreira, do Instituto de Estudos Socioambientais da UFG. Leia mais.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

 

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