Nos EUA, há falta de gado livre de antibióticos


O pecuarista Gary Bailey, do Estado americano do Oregon, diz que os negócios em sua fazenda prosperaram nos últimos anos graças ao crescente interesse do consumidor em carne produzida sem antibióticos.

Bailey, de 36 anos, tem encontrado, porém, dificuldades em recrutar outros pecuaristas que queiram deixar o mercado tradicional de carne e entrar para sua cooperativa pecuária, a Country Natural Beef, fornecedora da rede de supermercados Whole Foods Market Inc., conhecida por seus produtos orgânicos. “Com um mercado forte como esse, não há vantagem em adotar um programa de [carne] natural”, diz Tim Knuths, de 56 anos, um dos que rejeitaram os convites de Bailey.

A relutância ilustra como os preços muito elevados do gado e da carne convencionais no mercado americano estão limitando os esforços de fazer com que o setor pecuarista siga os grandes processadores de carne de aves na redução do uso de antibióticos. Grupos de defesa do consumidor e de cuidados com a saúde, assim como agências do governo dos Estados Unidos, afirmam que o uso generalizado de antibióticos tanto na medicina humana como animal tem contribuído para o desenvolvimento de bactérias resistentes aos antibióticos, criando riscos à saúde humana.

Mas mudar os protocolos de uso de antibióticos é mais difícil no setor de carne bovina, dizem especialistas em gado. O rebanho bovino normalmente vive de um a dois anos antes do abate, um tempo maior de exposição a doenças do que os frangos, que costumam viver apenas seis semanas. Os processadores de carne também geralmente têm menos controle sobre a origem dos animais. Eles costumam comprar bois de um amplo leque de produtores e intermediários, enquanto os principais processadores de frango fazem contratos exclusivos de fornecimento.

E os incentivos financeiros para os pecuaristas para mudar para a produção natural não têm sido fortes porque os preços para o gado convencional e para a carne subiram nos últimos anos nos EUA, impulsionados por secas prolongadas nas planícies do sul que reduziram o rebanho americano em 2014 para seu menor tamanho em 60 anos. Os preços do gado atingiram recordes históricos de alta no ano passado, quando os consumidores americanos pagaram em média US$ 13,60 por um quilo de carne bovina fresca em julho, 11% a mais que um ano antes, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

Variedades de carne natural, orgânica ou de animais criados em pastagem — todas livres de antibióticos — conseguem mais dinheiro, sendo vendidas a preços 30% a 80% mais altos por quilo do que a carne convencional. Mas os pecuaristas normalmente têm custos maiores e mais burocracia, estando sujeitos a vistorias para comprovar o bem-estar animal, sustentabilidade e outros padrões exigidos pelos compradores de carne ou pelas regras federais de rotulagem. Leia mais.

Fonte: The Wall Street Journal

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