A pecuária de precisão é para mim?


Um chip intrarruminal prevê o dia do parto da vaca e manda um alerta para o celular do peão. O bezerro nasce e no umbigo dele é colocado outro chip que ajuda na cicatrização da bicheira. Enquanto isso, uma balança registra o peso do gado que caminha livre pelo pasto. Esses são alguns exemplos das tecnologias de Pecuária de Precisão que estão sendo desenvolvidas no Laboratório Mangueiro Digital da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS). Mas de que maneira isso muda a vida do produtor? É razoável pensar que essas ferramentas revolucionarão para sempre o que se faz porteira a dentro? 

O Pesquisador da Embrapa Gado de Corte falou sobre as possibilidades da pecuária de precisão no horizonte do produtor, sobre tecnologias disponíveis e ganhos com sua aplicação no dia a dia da propriedade.

O que é pecuária de precisão?

Na origem, a precisão não depende da automação. O termo confunde e a gente chama de pecuária de precisão o que, na verdade, é a pecuária informatizada. Porque eu posso saber quanto o gado está ganhando de peso/dia levando o rebanho na balança do mangueiro, prendendo os animais e anotando tudo numa folha de papel. Aí, depois de pesados, eu desenho o gráfico de ganho de peso deles. Isso mostra que a pecuária de precisão pode ser feita à mão. Nosso foco hoje é automatizar ao máximo a parte zootécnica. Usando softwares, aplicativos, hardwares, analisamos um volume grande de dados e colhemos informações em campo sem mão de obra. Com o chip intrarruminal no caso das vacas, por exemplo, você consegue saber qual o dia do parto e estar mais preparado para intervir em caso de necessidade. Isso ajuda a melhorar a taxa de natalidade da fazenda e otimiza o trabalho dos funcionários.

Que outras linhas de pesquisa estão em curso?

Nós temos várias frentes de trabalho nesse grupo aqui que nós chamamos de Mangueiro Digital. São várias teses defendidas já. Tem um chip termômetro, software de acompanhamento do rebanho, desenho de um mangueiro anti-estresse. São muitos produtos, alguns deles estão no mercado e outros passando por processo de transferência de tecnologia para chegar ao produtor. Como a Embrapa não comercializa nada, nós precisamos de parceiros.

Estamos lançando agora, com a Coimma, uma balança de passagem para pesar o animal sozinho, livre em campo. Há alguns anos, a Saint-Gobain também colocou no mercado um transponder para identificação dos animais. O aparelho, conhecido como bolus, é um chip eletrônico que recebe ondas de radiofrequência e devolve um sinal codificado com o número do animal. Ele fica alojado no estômago dos bovinos, mais especificamente no retículo, e permite associar o número com todo o histórico que está gravado no software de controle de manejo, sanidade, fertilidade etc. Os dados são transmitidos sempre que o boi se aproxima de uma antena, geralmente instalada próxima aos bebedouros.

Como funciona a balança de passagem e qual o custo dessa tecnologia para o produtor?

Com a Coimma estamos fazendo a balança, mas para a balança funcionar é preciso o transponder, a leitora, o transmissor de dados e o software de computador; e cada uma dessas pequenas coisas são outras empresas que viabilizam. Nosso objetivo final é conseguir pesar o animal sozinho no campo e mandar esse peso, temperatura e localização a até 30 km de distância sem energia elétrica em linha.
Os dados são transmitidos usando energia solar, com os equipamentos funcionando em baixa voltagem. No escritório, chegam os dados de cada cabeça, conforme os animais vão se dirigindo para o bebedouro, e um gráfico aparece na tela. Um gráfico com as informações de cada animal. Depois, eu posso filtrar as informações como eu quiser. Filtro as cabeças que estão ganhando 500 gramas, 400 gramas, 1 quilo por dia, e aí eu manejo meu rebanho conforme o seu desenvolvimento. Leia mais.

FONTE: Portal DBO

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