Cerrado possui ainda 15,5 milhões de hectares de pastagens altamente aptas para agricultura


Para orientar o planejamento do uso da terra e a expansão da soja no bioma, análise da Agroicone, pelo projeto INPUT, aponta as áreas de pastagens com aptidão agrícola e as áreas não aptas para produção.

No período de 2000 a 2014, o cultivo da soja teve um aumento de 108% no Cerrado

O Cerrado tem hoje um papel fundamental para a agricultura brasileira e será neste bioma onde os principais desafios da produção agrícola irão ocorrer nas próximas décadas. O Brasil irá se tornar o maior produtor de soja do mundo até 2025, ultrapassando os Estados Unidos, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

No período de 2000 a 2014, o cultivo da soja teve um aumento de 108% no Cerrado e entre soja, milho e algodão, a expansão total foi de 87%, sendo que 70% das alterações de uso da terra ocorreram em pastagem ou outras culturas.

O desafio para o agronegócio é evidente: como garantir a expansão do cultivo da soja e também incorporar a agenda da conservação, assegurando disponibilidade do capital natural e segurança climática para resguardar o futuro da produção agropecuária?

Para contribuir com este debate sobre a otimização do uso do solo no Cerrado e orientar a expansão da soja nos próximos anos, a Agroicone, por meio do projeto INPUT (Iniciativa para o Uso da Terra), elaborou o diagnóstico “A Expansão da Soja no Cerrado – Caminhos para a ocupação territorial, uso do solo e produção sustentável”, de autoria dos pesquisadores Arnaldo Carneiro Filho e Karine Costa, com apontamentos sobre onde estão as áreas de pastagens com alta aptidão agrícola no bioma. O diagnóstico foi feito com base no estudo “Análise Geoespacial da Dinâmica das Culturas Anuais do Bioma Cerrado – 2000 a 2014”, elaborado pela Agrosatélite, de autoria dos pesquisadores Bernardo Rudorff e Joel Risso.

Os resultados da análise da Agroicone mostram que o Cerrado possui 15,5 milhões de áreas de pastagens com alta aptidão agrícola e sem restrições à expansão da agricultura, em especial para soja. Este dado, aliado à tendência da intensificação da pecuária – aumento de produtividade em uma mesma área, liberando áreas pouco produtivas – traz à tona uma oportunidade estratégica para o agronegócio: a produção de soja pode se expandir para áreas que já foram ocupadas por pastagens, sem a necessidade de novos desmatamentos.

O diagnóstico aponta ainda 30,6 milhões de hectares de pastagens com restrições de altitude e declividade, baixa aptidão agrícola ou inaptidão agrícola. Parte dessas áreas poderão ser direcionadas para projetos de restauração e cumprimento das exigências legais do Código Florestal.

“No Cerrado há uma grande concentração de áreas ideais para o cultivo da soja, do milho e do algodão, identificadas a partir de dados de precipitação, temperatura, relevo e altitude. Há pelo menos 25,4 milhões de hectares (território do tamanho do Paraná) de terras já convertidas e com aptidão agrícola”, afirma o pesquisador do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) Arnaldo Carneiro Filho, um dos autores da análise e consultor da Agroicone em Gestão Territorial Inteligente.

MATOPIBA

No Matopiba (confluência dos estados dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), apenas 2,8 milhões de hectares de áreas já ocupadas por usos antrópicos (áreas transformadas pela ação humana) são altamente aptos e outros 770 mil hectares apresentam aptidão média e nenhuma restrição. A maior parte do território já ocupado por usos antrópicos, altamente apto e sem restrição para a soja, está fora da região do Matopiba, com 22,5 milhões de hectares com potencial para serem ocupados com lavouras. Leia mais.

 

Fonte: INPUT

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